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Quanto mais tempo você usa a internet por lazer, menor é sua capacidade de identificar fake news

Jovens usando redes sociais sem se preocupar com as fakenews. Créditos da imagem: freepi.com

Durante muito tempo, acreditou-se que os maiores alvos da desinformação online eram os mais velhos — os chamados "tiozões do zap". Mas pesquisas recentes vêm desmentindo esse mito. O grupo mais vulnerável às fake news hoje é justamente aquele que mais vive conectado: a geração Z, composta por jovens entre 13 e 28 anos.

Um estudo da Universidade de Stanford, realizado com mais de 3.000 estudantes, testou a habilidade dos jovens em reconhecer manipulações em notícias. Um dos testes envolvia uma manchete sensacionalista: “Fraudes eleitorais são descobertas nas eleições primárias dos EUA”. O resultado foi alarmante — a maioria dos estudantes não percebeu os sinais claros de desinformação. O simples fato de a manchete soar impactante já bastava para que muitos compartilhassem sem questionar.

As redes sociais não são fontes confiáveis de notícias

Além disso, 45% dos jovens entre 18 e 29 anos dizem que consomem notícias principalmente pelas redes sociais. Plataformas como Instagram, TikTok, Twitter (X) e YouTube se tornaram as principais fontes de informação — e desinformação — dessa geração. Mas consumir notícias em espaços criados para entretenimento tem um custo: quanto mais usamos a internet por lazer, menos desenvolvemos o hábito crítico de checar fontes, identificar viés e buscar informações confiáveis.

Casos emblemáticos de propagação de fake News

"Pizzagate" (2016): a fake news que quase terminou em tragédia. Durante a campanha eleitoral de 2016 nos Estados Unidos, uma teoria conspiratória espalhada em fóruns como 4chan e redes sociais como Twitter e Facebook afirmava que Hillary Clinton e outros membros do Partido Democrata estariam envolvidos em uma rede de tráfico infantil operando no porão da pizzaria “Comet Ping Pong”, em Washington, D.C.

E-mails publicados pelo WikiLeaks

Tudo começou com a divulgação de e-mails do presidente da campanha de Hillary, John Podesta, hackeados e publicados pelo WikiLeaks. Teóricos da conspiração alegaram (sem qualquer base) que os e-mails continham "códigos" que indicavam tráfico sexual infantil, associando-os à pizzaria mencionada casualmente em algumas mensagens.

As consequências reais,  em 4 de dezembro de 2016, um homem chamado Edgar Maddison Welch viajou até a pizzaria armado com um rifle AR-15, entrou no local e atirou. Ninguém foi ferido, mas o caso escancarou como a desinformação online pode ter consequências perigosas no mundo real.

Após ser preso, Welch declarou que queria "investigar por conta própria" o que estava acontecendo no local — acreditando cegamente na fake news que havia lido na internet.

O caso da "menina Lisa" (Alemanha, 2016)

Um exemplo clássico de desinformação internacional usada como ferramenta de manipulação política.

O que aconteceu?

Em janeiro de 2016, canais de mídia russos, redes sociais e até autoridades do governo russo divulgaram a história de uma adolescente alemã de origem russa, chamada Lisa F., de 13 anos.

A notícia dizia que ela havia sido sequestrada e estuprada por refugiados muçulmanos em Berlim, e que a polícia estava "encobrindo o caso" para proteger a imagem da política de imigração da chanceler Angela Merkel.

O que foi descoberto?

A polícia alemã desmentiu completamente a história. A menina havia apenas fugido de casa por motivos pessoais e não havia sido sequestrada nem abusada. A própria Lisa confirmou isso posteriormente.

Mesmo assim, manifestações públicas explodiram em várias cidades da Alemanha contra os imigrantes, alimentadas pela falsa narrativa.

Por que esse caso é importante?

Foi utilizado como propaganda política internacional: O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou o governo alemão de encobrir crimes contra russos na Alemanha. Tornou-se um símbolo de como a desinformação pode ser usada para instigar ódio étnico e manipular a opinião pública. Revelou como a mídia estatal russa usou o caso para atacar a política pró-imigração da Europa.

Este caso é um alerta poderoso, mesmo uma notícia completamente falsa, quando emocionalmente carregada e amplamente divulgada, pode gerar pânico, raiva e até influenciar a política de um país.

Por que o caso é emblemático?

Mostra como narrativas conspiratórias espalhadas sem verificação ganham força quando envolvem figuras políticas polêmicas. Revela o papel dos algoritmos e redes sociais na propagação de mentiras, mesmo sem nenhuma evidência factual. Expõe o perigo de confundir entretenimento online com informação, algo particularmente sensível para os jovens, como mostra o estudo da Stanford.

Aqui no Brasil um exemplo de fake News é o caso Marielle Franco em 2018 que foi difamada após ter sido assassinada

No dia 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros no Rio de Janeiro, em um crime que chocou o país e ganhou repercussão internacional.

Poucas horas depois da morte, começaram a circular fake news nas redes sociais com o objetivo de manchar a imagem de Marielle.

As principais fake news espalhadas:

- Que Marielle era “esposa de um traficante” ou que “tinha ligação com o Comando Vermelho”;
- Que ela “defendia bandidos” ou “havia sido eleita pelo crime organizado”;
- Que ela era uma “militante perigosa” envolvida em “ativismo radical”

Essas alegações eram completamente falsas, sem qualquer prova ou fonte confiável.

O impacto real:

As fake news foram compartilhadas por figuras públicas, como uma desembargadora, que escreveu publicamente que Marielle “foi eleita pelo Comando Vermelho”. O caso foi parar na Justiça, e ações judiciais foram movidas por calúnia e difamação. A própria mãe de Marielle, Anielle Franco, precisou entrar com processos para conter os boatos.

Por que é importante?

- Esse caso mostra como a desinformação ataca vítimas mesmo depois da morte, afetando suas famílias, sua memória e seu legado. Revela a rapidez com que uma fake news pode viralizar, alimentada por preconceito e motivação ideológica.- E prova que a mentira pode ser uma arma política e moral — usada para silenciar vozes incômodas.

A tragédia de Marielle foi duplicada pela violência digital. A primeira bala foi no carro. A segunda, nos celulares de milhões.

Jovens confiam cada vez menos nas instituições

Outro problema é o enfraquecimento da confiança nas instituições. Muitos jovens já não confiam plenamente na imprensa, no governo ou na ciência. Em vez de verificar a veracidade de uma informação em veículos confiáveis, eles recorrem aos comentários de outros usuários para "checar" se aquilo parece verdadeiro. Mas esse comportamento é exatamente o que os algoritmos querem: mais tempo de tela, mais cliques, mais engajamento — mesmo que à custa da verdade.

Esse ciclo é perigoso. A partir do momento em que uma fake news começa a circular, o próprio sistema das redes sociais ajuda a espalhá-la, reforçando bolhas de pensamento e radicalizando opiniões. A cada clique, a cada curtida, a inteligência artificial entende que você quer mais daquele tipo de conteúdo — mesmo que seja falso.

Se não houver uma correção de rota — nas escolas, nas políticas públicas, nas próprias plataformas — milhões de jovens continuarão sendo presas fáceis da manipulação digital. E isso não é apenas um problema individual, mas uma ameaça real à democracia, à saúde pública e à coesão social.

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