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Os 10 melhores filmes de Leonardo DiCaprio - O Regresso

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5- O Regresso (The Revenant, 2015) - Impulsionado pela corrida do Oscar e pelo marketing do “DiCaprio finalmente vencedor”. Quando O Regresso chegou aos cinemas em 2015, ele já carregava uma narrativa paralela poderosa: a de que Leonardo DiCaprio “precisava” vencer o Oscar. No entanto, reduzir o filme a isso seria injusto. Dirigido por Alejandro González Iñárritu, O Regresso é menos uma história tradicional e mais uma experiência sensorial de resistência, tanto para o personagem quanto para quem assiste.

Leonardo Dicaprio em O Regresso de 2015

O Regresso, o filme em que Leonardo DiCaprio venceu o corpo para vencer o Oscar 

Inspirado em fatos reais, o filme acompanha Hugh Glass, um caçador de peles do século XIX que sobrevive a um ataque brutal de urso e é deixado para morrer em território hostil. O roteiro é econômico em diálogos, exigindo que DiCaprio se comunique quase exclusivamente por meio do corpo, da respiração, do olhar e da dor. É uma atuação física, primitiva e deliberadamente desconfortável.

O orçamento da produção ultrapassou os US$ 130 milhões, em grande parte devido às escolhas estéticas extremas do diretor. Iñárritu decidiu filmar exclusivamente com luz natural, o que restringia as gravações a poucas horas por dia e obrigava a equipe a se deslocar constantemente em busca de neve real. Isso transformou a produção em uma jornada caótica, longa e exaustiva.

Ainda assim, o esforço foi recompensado. O Regresso arrecadou cerca de US$ 530 milhões mundialmente, um número impressionante para um filme lento, violento e pouco convencional. A bilheteria foi impulsionada tanto pelo boca a boca quanto pela forte campanha de premiações.

A recepção da crítica foi amplamente positiva. O filme venceu três Oscars, incluindo Melhor Diretor, Melhor Fotografia e, finalmente, Melhor Ator para Leonardo DiCaprio. Muitos críticos destacaram que, mais do que uma atuação “emocional”, DiCaprio entregou um trabalho de imersão total, no qual o sofrimento não era apenas representado, mas vivido.

Orçamento estourado com elenco e equipe psicologicamente desgastados

As filmagens ocorreram em algumas das locações naturais mais inóspitas da América do Norte. A produção começou no Canadá, em regiões remotas de Alberta e British Columbia, mas precisou migrar para o sul da Argentina quando a neve começou a desaparecer devido às mudanças climáticas. Esse deslocamento internacional em pleno processo de filmagem contribuiu para o estouro do orçamento e para o desgaste físico e psicológico do elenco e da equipe.

Nos bastidores, O Regresso se tornou lendário. DiCaprio enfrentou condições extremas, incluindo temperaturas abaixo de zero, longos períodos dentro de rios congelados e uma dieta radical para determinadas cenas. Uma das curiosidades mais comentadas é que ele comeu fígado de animal cru em cena, algo que o próprio ator afirmou nunca mais querer repetir. A sequência do ataque do urso, por sua vez, levou semanas para ser filmada e é considerada uma das cenas mais tecnicamente complexas da década.

Outro aspecto revelador da produção é a tensão constante entre o diretor e a equipe. Iñárritu levou todos ao limite, insistindo em repetidas tomadas em condições quase impraticáveis. Muitos consideraram o método excessivo; outros defenderam que essa pressão foi justamente o que deu ao filme sua atmosfera crua e implacável.

Com o tempo, O Regresso passou a ser visto não apenas como “o filme do Oscar de DiCaprio”, mas como um estudo brutal sobre sobrevivência, vingança e a insignificância humana diante da natureza. Para DiCaprio, ele representa o ápice de uma trajetória marcada por escolhas difíceis e pela recusa em seguir caminhos fáceis.

Se O Lobo de Wall Street era barulho, excesso e movimento, O Regresso é silêncio, dor e persistência.