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Os 10 melhores filmes de Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street

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4- O Lobo de Wall Street (2013) - Mesmo com classificação restritiva, teve desempenho impressionante nos cinemas. Quando O Lobo de Wall Street estreou em 2013, Leonardo DiCaprio já havia provado quase tudo o que um ator poderia provar em termos de prestígio. O que ainda restava era algo mais perigoso: interpretar um protagonista indefensável sem pedir redenção ao público. Sob a direção de Martin Scorsese, seu colaborador mais frequente, DiCaprio encontrou o terreno perfeito para isso.

Leonardo Dicaprio em O Lobo de Wall Street de 2013

O Lobo de Wall Street foi marcado por excesso, carisma e o limite entre crítica e fascínio

O filme é baseado na autobiografia de Jordan Belfort, um corretor da bolsa que construiu um império financeiro por meio de fraudes, manipulação de mercado e um estilo de vida marcado por drogas, sexo e ostentação. Scorsese opta por não moralizar diretamente a história, preferindo expor os fatos com energia, humor ácido e ritmo frenético. Nesse contexto, DiCaprio entrega uma atuação expansiva, quase anárquica, que sustenta três horas de filme sem perder fôlego.

O orçamento da produção ficou em torno de US$ 100 milhões, valor relativamente contido para um filme desse porte, especialmente considerando o elenco e a complexidade das cenas. A aposta deu retorno: a arrecadação mundial ultrapassou US$ 390 milhões, um feito notável para um filme com classificação indicativa restritiva e forte controvérsia temática.

A recepção da crítica foi intensa e polarizada. Muitos críticos elogiaram a direção de Scorsese e a performance de DiCaprio, considerando-a uma de suas melhores. Outros acusaram o filme de glorificar o comportamento que deveria criticar. Ainda assim, o reconhecimento foi expressivo: O Lobo de Wall Street recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para DiCaprio. A estatueta, no entanto, mais uma vez escapou — alimentando o famoso “mito do Oscar” que só seria quebrado anos depois.

Ascensão rápida e decadência moral

As filmagens ocorreram em diversas locações nos Estados Unidos, principalmente em Nova York, Nova Jersey e Long Island, regiões centrais para a história real de Belfort. Escritórios de corretoras, mansões luxuosas e clubes privados foram usados para reforçar a sensação de ascensão rápida e decadência moral. Algumas cenas externas também foram gravadas na Itália, incluindo sequências no iate, que simbolizam o auge do delírio de grandeza do personagem.

Nos bastidores, o filme é quase tão lendário quanto na tela. Muitas cenas foram improvisadas, com Scorsese incentivando os atores a extrapolarem o roteiro. A famosa cena em que Belfort, completamente drogado, tenta entrar em seu carro — conhecida como “cena do Quaalude” — nasceu de relatos diretos do próprio Jordan Belfort, mas foi reinventada por DiCaprio de forma física e quase cartunesca, exigindo dias de gravação devido ao esforço extremo.

Outra curiosidade é que o verdadeiro Jordan Belfort aparece no final do filme, apresentando DiCaprio em um seminário, em uma espécie de ironia metalinguística: o homem real introduz sua versão ficcional como se fosse um produto de palco. DiCaprio também atuou como produtor do filme, tendo papel ativo para que o projeto saísse do papel após anos de tentativas frustradas em Hollywood.

Com o tempo, O Lobo de Wall Street se tornou mais do que um filme biográfico. Ele virou símbolo cultural, frequentemente citado — e muitas vezes mal interpretado — como inspiração para discursos motivacionais e conteúdo de ostentação. Essa ambiguidade é parte do seu impacto: o filme não oferece respostas fáceis, apenas expõe o quão sedutor pode ser um sistema profundamente disfuncional.

Se Django Livre mostrou a face explícita do mal, O Lobo de Wall Street revela algo mais desconfortável: o mal que ri, vende, convence e é aplaudido.